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Um mês depois…

… Voltei! Mas confesso que ficar esse tempo todo afastada me fez um bem danado. Existe vida fora da internet, sabiam??? rsrsrsrs. Delicioso demais aproveitar cada segundo de natureza exuberante na minha pequena floresta particular.

Para quem não sabe, a gente se mudou (sim, mais uma vez!). Isso aconteceu de uma forma caótica no dia 26 de agosto, embora a mudança em si tenha durado por volta de uma semana. Difícil conciliar as obrigações do trabalho, com caixas e mais caixas, caminhão, etc. e tal. E, como sempre, no final dá tudo certo.

Aqui ainda está em fase de arrumação. Há muito para ser feito. Cômodos precisam de pintura… Aliás, a casa inteira necessita de uma repaginada radical. Nada como uma boa dose de boa vontade e muitas pitadas de paciência, regados por uma dedicação super motivada por quem conseguiu encontrar o seu lugar neste mundo.

Temos aqui muitos cães, muitas árvores, muitos animais, insetos de todos os tipos, e uma vista deslumbrante. Preciso dizer que é um cenário dos mais lindos que possa existir nessa vida. Mar, montanhas, lagoas, ilhas… tudo faz parte de uma tela pintada delicadamente por mãos divinas. Chova ou faça sol, a beleza é infinita. Estamos felizes… Cansados, mas muito felizes.

Tenho muitos e-mails para ler, responder, facebook para atualizar, blogs, etc. Não estou com pressa. Aliás, estou como aquela canção de Almir Sater: “Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso…” É por aí. Então, as coisas se ajustarão aos poucos, em harmonia, seguindo o meu novo ritmo. Uma coisa muito boa que aconteceu é que esse tempo me transformou para melhor. Um exemplo disso são os meus novos horários. Pasmem que não tenho acordado tão tarde, tenho ido dormir mais cedo, lido muito, escrito um montão… Esse afastamento foi muito positivo para um reencontro comigo mesma.

Fiquei sem internet por um bom tempo, mas ainda não estou com um acesso definitivo. Estamos testando conexões até conseguirmos atingir o ideal para nós. Pelo menos, não vou mais ficar isolada da internet e poderei aparecer por aqui mais vezes. Hoje é o meu dia de folga e preciso organizar muitas coisas. Volto assim que tiver um tempinho livre.

Morrendo de saudades de todos vocês.

Beijos grandes!

Só nos imprevistos!

Tenho um gato vira-lata (o Willy) e ele ainda não tem um ano de vida, mas começou a apresentar um sério problema de saúde. Eu já havia reparado que de um tempo pra cá ele estava com certa dificuldade de urinar e, há alguns dias, como ele fez xixi fora da caixa, vi que estava sangrando… Uma verdadeira poça de sangue. Entrei em desespero. Corremos para o veterinário e descobrimos (o que era óbvio) que o filhote está com problemas renais, mas ainda não está em estágio avançado já que o levamos a tempo.

O Dudu (um siamês que tivemos e faleceu em outubro de 2010), apresentou problema semelhante no passado. Porém, ele já era castrado (coisa que o Willy ainda não é) e devido à ração muito salgada desenvolveu essa condição tendo que ficar internado naquela época. Acabou que o Dudu morreu aos 13 anos ainda por complicações nos rins, apesar dos cuidados que tivemos.

O veterinário nos disse que Willy é muito novo para ter isso, então cremos que ele já nasceu com essa sensibilidade. Grânulos de uma espécie de areia fininha começaram a se acumular, ferindo a uretra e causando o sangramento. Lá mesmo na clínica, ele tomou uma injeção de antibiótico e voltamos para casa com uma lista de recomendações e medicamentos. Ele não poderá tomar o restante das vacinas e ser castrado enquanto não melhorar o quadro clínico. Está tomando antibiótico, anti-inflamatório, vitamina C e usando uma pasta comestível que ajuda na imunidade e na prevenção de bolas de pelo que podem se formar no sistema digestório. Além disso, a ração (caríssima) tem que ser dietética para, aos poucos, podermos inserir outra ração normal. Ufa…

Estou falando sobre isso porque quem tem gatos precisa ficar de olho em qualquer comportamento estranho, principalmente no que diz respeito às fezes e urina. Gato tem o metabolismo muito diferente de cachorro e não pode em hipótese alguma fazer uso de medicamentos para seres humanos (salvo sob prescrição médica). Tem gente que pensa que bichos sem raça definida são muito mais fáceis de alimentar e cuidar, já que os de raça parecem ser mais sensíveis. Não é bem assim. Cada ser é único e os cuidados precisam ser exclusivos. Também tem gente que pensa que ter animais de estimação se resume a alimentar e dar carinho… Não, não… Assim como nós, nossos animais precisam de um acompanhamento médico periódico. Então, é gasto. Geralmente, nos pega desprevenidos, mas é a nossa responsabilidade desde o momento em que escolhemos tê-los.

Agora estou aqui, na luta para fazê-lo tomar os medicamentos e com uma semana mega enrolada pela frente… Imprevistos! Porém, o importante é que ele está bem e no final tudo dá certo.

Até mais!

Ontem aconteceu algo que me deixou bem chocada. As crianças jogavam bola na rua do condomínio como de costume, quando a bola sem querer atingiu o rosto de um menino maior e isso foi o suficiente para que ele descontasse a sua raiva chutando a barriga do meu filho. Eu estava no sofá de casa, tentando relaxar depois de um dia cansativo de trabalho quando meu filho e todas as outras crianças adentraram pela porta abismadas com o acontecido, contando como foi, etc. Enquanto isso, meu filho chorava segurando o local que havia sido atingido e só conseguia dizer que tinha tomado um chute. Quando ele chora eu sei que está doendo, pois não é um menino de choro muito fácil, que derrama lágrimas por causa de qualquer tombo ou coisa parecida.

Fui averiguar a situação e perguntei ao menino que havia dado o chute o que realmente tinha acontecido. Ele me disse: “A bola atingiu o meu rosto e de raiva eu chutei mesmo!”. Legal! Perguntei se ele achava que a sua atitude foi correta e ele respondeu que não. Sem mais a dizer, coloquei o meu filho para a casa e saí do local. Quando o meu marido chegou e soube do ocorrido, foi falar com seus pais. A mãe não apareceu, não quis se envolver. O pai, o qual tínhamos um relacionamento amistoso, tomou uma atitude que nos surpreendeu bastante. Logicamente, no primeiro momento o filho não confessou o que fez, mas acabou se rendendo e dizendo que realmente tinha feito. A resposta do pai foi bem típica de muitos pais que costumam acobertar as cagadas que os filhos andam fazendo na rua e nas escolas: “Eu acredito e confio no meu filho 100%, o seu filho pode estar mentindo!”. Muito bem. Ainda tivemos que ouvir que o filho dele estava em frente à sua casa, foi atingido e apenas reagiu. Beleza. Então isso quer dizer que se eu estou em frente à minha casa posso tomar qualquer atitude insensata e ficar por isso mesmo? Isso quer dizer que o fato de eu estar em frente a minha casa me dá o direito de desferir golpes em uma pessoa mais frágil que eu? O pai “cheio de razão” subiu nas tamancas como se o meu filho tivesse batido no filho dele e em nenhum momento tomou uma atitude sensata. Pois é, cada um com a sua verdade, cada um com a sua motivação.

A conclusão do fato é que o pai proibiu os seus filhos de falar com o nosso, pois a fato deles brincarem juntos estava lhe trazendo problemas. Atitude grandiosa esta. Tudo bem, eu respeito e, para nós, é mesmo muito melhor que o nosso filho não tenha qualquer tipo de relacionamento com tais pessoas. Não vale a pena. Foi um exemplo perfeito para o nosso filho perceber como é a vida lá fora. Crianças precisam de orientações consistentes para encarar o mundo de frente quando se tornarem adultos, precisam reconhecer seus erros e assumi-los. Desde pequeno eu converso com o meu filho a respeito disso e sempre digo a ele: “Se você sabe o que é errado e mesmo assim tomou a decisão de fazê-lo, seja corajoso também para arcar com as consequências dos seus atos”. Cada um dá para os seus a orientação que julgar correta, cada um tem uma forma de educar e quem sou eu para dizer o que deve ou não ser feito. Porém, isso me magoou, fiquei chateada, pois não incito violência dentro da minha casa e , portanto, não tolero este tipo de atitude.

No mais, os incomodados que se mudem e estamos partindo deste lugar sem deixar absolutamente nada para trás.

A viagem

Recomeço a minha viagem
Há décadas venho traçando percursos
Decidindo destinos através de escolhas
O que vem
O que vai
Fazem parte do trajeto
Incerto (eu sei)
Mas no fundo
Viemos com um preparo
Por mais que a teimosia
Nos diga o contrário

Recomeço a minha viagem
Os medos e inseguranças
Fazem parte do roteiro
Em alguns momentos
Titubeio
E nesse cambalear de incertezas
Regado de pequenas fraquezas
Coleciono experiências
Num pequeno relicário

Minha viagem recomeça
A cada dia em que inspiro vida
Recupero fôlegos
Repouso na sombra da alma
Muitas vezes, corro na direção oposta
Faço previsões em telas
Tinta a óleo pintando portais
Ornados de hortênsias
Ou suavidade em aquarelas
Expondo ao fundo
O mar em excelência
A viagem segue displicente
Pedaladas inocentes
Naus imaginárias…
… Caravelas.

Bosques de Alim

 

 

Clique no link e leia trechos da obra:

http://www.bookess.com/embed/3E4L9g

Lembram que participei de uma oficina para contadores de histórias no final do mês de junho? Pois é! Aquela experiência ficou marcada em mim e me fez olhar os contos de fadas – contos de sonho e encantamento – com outros olhos. Desde criança sempre amei as narrativas mágicas, o fantástico apresentado de uma forma tão gostosa e natural… Tão real! Tipo aqueles sonhos que, ao acordarmos, juramos terem sido reais.

Antes de mostrar o vídeo da oficina para vocês, quero pegar carona numa matéria muito bacana que saiu na revista “Discutindo Literatura” edição especial (ed. escala educacional) dedicada à Literatura Infantil e Juvenil (ano 1, nº 3). Diz assim:

Era uma voz que sempre dizia “Era uma vez…”. A voz do contador de histórias ressoa para sempre na alma dos que viveram os contos ouvidos, contos nos quais moram bruxas, princesas, feiticeiros, soldados, heróis, monstros e seres fantásticos.

No recôndito da memória, modulações, timbres, gestos e expressões corporais evocam alguém contando, em algum momento e em algum lugar. A voz e as palavras do contador, articulando-se em emoções e enredos, passam pelo seu corpo e ressoam nos seus ouvintes estabelecendo ligações invisíveis.

No caminho de formação de um leitor, passa-se, certamente, pelos momentos de ouvir histórias. Momentos em que a oralidade assume toda sua importância, mesmo nas sociedades contemporâneas, de forte cunho escrito e escassas oportunidades de narração.

Falar sobre a importância de contar histórias é falar sobre um tema bastante discutido entre profissionais ligados à educação e à saúde, mas que vale a pena ser retomado. E ler histórias em voz alta a crianças e jovens? Seria apropriada essa prática? Crianças já alfabetizadas não deveriam ler sozinhas, desvinculando-se da imagem do leitor adulto?

Penso que todos gostam de ouvir uma boa história, principalmente, quando o narrador sabe contá-la. Penso que saber contar uma história é algo que vem de dentro para fora, é uma questão de envolvimento com o conteúdo que estamos querendo passar. Saber dar ênfase naquilo que se faz importante, não ter vergonha de impostar a voz e/ou modificá-la para tornar a contação mais interessante, mais realista. Contar e ouvir histórias não está relacionado à idade. Nossa voz é melodia e, por isso, há música na narrativa. Continuo com as palavras do artigo:

Há muito, muito tempo, a pequena cidade de Hamelin, na Alemanha, sofria de um ataque de milhares de ratos. Eram ratos de todos os tamanhos e que estavam por todos os lados. Ninguém suportava mais aqueles animais, então o prefeito teve que tomar uma atitude…

Todos conhecem a história dos irmãos Grimm, O Flautista de Hamelin. No decorrer da história, o flautista, enganado pelo prefeito, decide cantar e encantar as crianças da cidade, que o seguem até a floresta. No final da história, as crianças voltam para suas casas e se lembram da aventura como se fosse um sonho.

O contador de histórias tem um pouco do flautista de Hamelin. Sua voz, assim como a flauta, vibra ao encontro dos ouvintes, às vezes suave como um veludo, outras vezes misteriosa como uma coruja, ainda outras vezes horripilante como uma gargalhada de bruxa. E um bom contador de histórias conhece suas notas musicais, que para ele são as combinações das palavras. Não existe um roteiro fechado para contar uma história: assim como no jazz, o improviso do narrador é fundamental: como também o é entre os bardos de Bálcãs ou entre os repentistas e emboladores nordestinos.

Porém, o improviso não significa desconhecer a letra da música, mas sim poder brincar de desmontá-la e recombiná-la novamente. Brincar é preciso! E é por isso mesmo que o narrado nunca conta a mesma história, mesmo que ele a repita por muitos anos; porque sempre haverá uma matéria linguística diferente de cada vez.

A voz é o instrumento do contador. O trabalho feito com a voz é o caminho por onde flui o sentimento, por onde passam emoções. Porém, a reação do ouvinte alimenta esse trabalho. É um processo de troca, como se fios invisíveis se formassem entre o contador e o público num constante ir e vir de energias. A voz reverbera pelo corpo de quem narra fazendo com que o olhar, os gestos, a expressão facial sejam uma extensão daquilo que é falado e ouvido. E o artigo termina com um parágrafo maravilhoso:

A arte de narrar e ouvir histórias, no contexto contemporâneo, significa uma oportunidade na qual abrimos um momento de contemplação, de comunicação. Há o exercício de pensar, falar, calar. Esse encontro se dá por meio dessas palavras, e o vazio entre os humanos ganha substância pela voz de quem conta um conto.

No final deste mês terei mais um encontro no galpão do Ponto de Cultura Canteiro de Obras para uma segunda vivência na arte de contar histórias. Estou super entusiasmada com este reencontro e com a possibilidade de dar voz a novos contos e ouvir tantos outros. Agora deixo o vídeo na oficina passada para vocês apreciarem:

Após alguns anos afastada das salas de aula, chegou o momento de voltar. Sempre tive vontade de trabalhar com turmas do ensino fundamental 2 já que meu currículo era mais focado no ensino médio e profissionalizante. Neste segundo semestre, após algumas decisões pessoais recebi a grata oportunidade de ter este meu desejo realizado. Confesso que gosto de desafios. Nesta primeira semana, as turmas ainda estão se acostumando com a minha presença e o meu ritmo de aula.

O fato é que não é nada fácil lidar com a faixa etária, principalmente, nesta época que estamos vivendo. Tudo é muito mais dinâmico, muito mais imediato. Os conceitos foram repaginados, as prioridades mudaram. Hoje, o professor é uma figura vista de forma diferente pelos alunos que em gerações passadas eram passivos no processo ensino-aprendizagem. Essa nova geração é bem mais participativa, falante, solicita atenção o tempo todo e este comportamento pode ser utilizado de forma benéfica, podendo ser transformado em aliado na aquisição de conhecimentos. Por outro lado, não é tão simples controlar uma turminha de fala animada, muitas vozes abafando a sua e, além disso, suprir as necessidades de cada um como indivíduo. É preciso jogo de cintura e viver um dia de cada vez (clichê muito verdadeiro).

O que antigamente funcionava muito bem, hoje em dia já não funciona mais… Ficou obsoleto, embora cadernos, livros, tarefas, quadro ainda sejam muito utilizados. A base de trabalho não mudou, mas a forma de transmitir cada conteúdo sim. Os alunos querem interagir e é necessário balancear muito bem essa participação com o planejamento de aula. O nosso objetivo consiste em focalizar um ponto de equilíbrio entre cumprir o planejado sem atropelos e dar espaço ao complemento proveniente das ideias do aluno. E para isso não existe receita, existe o sentimento. A sensibilidade do professor e seu olhar apurado servem de termômetro para medir como o conteúdo deve ser ministrado naquele momento. Cada dia é único realmente.

Portanto, quem abraça essa profissão o faz por amor. Em frente à tantas dificuldades (de todas as ordens) que enfrentamos é preciso gostar de verdade. Ouso dizer que é preciso nascer para fazer isso, como uma missão sabe? Por isso é muito importante estar consciente sobre as adversidades que surgirão pelo caminho e procurar manter o equilíbrio emocional acima de tudo. Se você não é criativo, não tem postura de liderança, não gosta de desafios, não escolha ser professor.

Daqui a pouco estarei indo para mais uma aula e sempre fico curiosa para descobrir como será o momento. Sempre fico entusiasmada para saber o que o meu trabalho tem para me ensinar no dia de hoje.

Beijos carinhosos.