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Archive for 14 de julho de 2010

>Taí uma frase polêmica com um palavrãozinho de nada. Mas essa não partiu de mim não (só para deixar claro!). Nada mais nada menos que Arnaldo Jabor em uma crônica chamada “As confissões de um ladrão brasileiro” que faz parte do livro “Amor é prosa, sexo é poesia”, da editora Objetiva. Alguns trechos para vocês:

“Gosto de ser ladrão, doutor. Esta palavra tem uma conotação feia, mas a origem dela é latrones, os sujeitos que ficavam na lateral, ao lado dos reis e príncipes. Minha origem é, portanto, ilustre. Não sou ladrão de galinhas, mas confesso que roubava galinhas do vizinho e até hoje sinto o cheiro das penosas que eu agarrava, prendendo-lhes o bico para evitar carcarejos e ficou-me o gosto do terror de o vizinho aparecer e acho que virei ladrão pelo prazer desse medo.

[…]

“Eu sou especializado em bens públicos, doutor, é o que me dá mais tesão, saber que estou roubando todo mundo e ninguém, um dinheiro tradicional que já foi de tantas oligarquias. No Brasil, há dois tipos de ladrões, na elite é claro, não falo de ‘carandirus’. Há o ladrão extensivo e o intensivo. O primeiro é aquele que vai roubando ao longo da vida política e, ao fim de 30 anos, já tem Renoirs, lanchões, helicópteros, esposas infelizes e adquire uma respeitabilidade por ser roubo difuso, ganha uma espécie de título de barão ou conde e que, depois, pode se limpar nas artes e na filantropia.

“Eu prefiro ser o ‘intensivo’, doutor, me dá mais adrenalina, mais pá-pum, mais relâmpago, uma delícia, doutor, roubar como vingança contra passadas humilhações, dores de corno, porradas na cara não revidadas.

[…]

“Olhe para mim, doutor. Estou no lugar da verdade. Este país foi feito assim, na vala entre o público e o privado. Há uma grandeza insuspeitada na apropriação indébita, florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? O que vocês chamam de ‘roubalheira’, eu chamo de ‘progresso’, um progresso português, nada da frieza anglo-saxônica.

“São Paulo foi contruída com este combustível, Brasília foi feita de lindas ladroagens. Tudo o que é belo e bom nasceu da merda. Esta é a tradição do Brasil, doutor…”

Sendo assim, ninguém precisa se dar ao trabalho de mandar a gente à merda, né?

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>Assim como já sabia que a seleção brasileira perderia feio a Copa do Mundo, sabia também que o meu post anterior provocaria certo frisson na galera… rsrs. Foi de propósito! rsrs… Não com o intuito de ofender. Aliás, o que há de gente melindrosa neste mundo não está no gibi. Mas eu compreendo. Nem por isso peço desculpas. Afinal, há tanta gente que ofende por meio de palavras tão bonitas, né mesmo? Isso eu acho um crime.

Se fazem uso indevido das palavras agregando novos significados, principalmente, pejorativos… Fazer o que?

Agora vou citar Dercy Gonçalves que, por mais desbocada que tenha sido, definiu o palavrão de uma maneira bem interessante:

“Palavrão, meu filho, é condomínio, palavrão é fome, palavrão é a maldade que estão fazendo com um colírio custando 40 mil réis, palavrão é não ter cama nos hospitais”

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