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Archive for outubro \31\UTC 2010

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O Caldeirão
Fundido em ferro pintado de pretobrilhante, ele repousa na estante.
Ao lado, dois menores, não tãoiguais, que vieram das Minas Gerais.
Presente de uma querida amiga, elenunca foi usado, nem para fazer poções, nem ensopados.
Fica lá parado como enfeite e, comos anos, o fundo foi se tornando enferrujado.
Seu sonho? Sentir o calor do fogo,visitar o fogão a lenha, inchar os grãos de arroz.
Seu uso sempre foi deixado paradepois.
Inveja as panelas, as leiteiras ecafeteiras de um falso sotaque italiano.
Queria ser útil, participar dasrefeições.
Os menores ao seu lado, já parecemconformados com seus destinos consumados. Escorando as maçãs oferecidas aoduende da fartura, decoram a cozinha com ternura.
Do alto da estante ele observatudo: as pessoas em movimento… Sente o cheiro do café, do refogado, do coentroe passa a vida imaginando, como seria descer de lá para servir o jantar.

Trecho do Livro “Na ponta de cada sonho, no despertar de cada dedo”, disponível aqui.

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>A Mudança – Parte I

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Ele nunca a traiu… Bom, talvez em pensamento. Masisso não significava que era um bom marido. Um cara que lhe testava todos oslimites da paciência, fazendo joguetes e cenas dignas de uma indicação aoOscar. Ah, se Hollywood o descobrisse!
Ele nasceu em uma geração onde era bacana bancar omachista – “Mulher minha não trabalha fora!” – Ele não dizia, mas certamenteera o que pensava e mostrava com as atitudes mais infantis que se possaimaginar. Com isso, ela foi perdendo o tesão na relação. Não aquele tesãonecessário para um sexo bom, mas a acomodação de deixar-tudo-como-está,empurrando com a barriga um relacionamento que já começou fracassado, movido poruma motivação equivocada.
Mesmo assim ela se conformou e decidiu envelhecer aolado dele. O cara era um bruto, não fazia uso do bom e velho respeito, provocavasituações ridículas principalmente quando recebiam visitas a fim de que todasas amigas e demais parentes se afastassem dela. Ninguém estava mais tãodisposto a presenciar baixarias!
Eram pequenas picuinhas que, muitas vezes, só elaentendia e passava despercebido sob os olhares de quem estivesse presente. Issoprovocava ira, mas não o suficiente para que a fizesse dar um basta norelacionamento. Como se fosse pouco, ele passou a beber.
Todos os dias chegava do trabalho com um bafo dignode quem se esbaldou no boteco da esquina. As mãos sujas de giz dos tacos desinuca e um andar nada sexy. Queria abraçá-la e mostrar-lhe como segurar umtaco com dignidade e deixá-lo a ponto de “encaçapar” a bola. Ela se esquivavaprocurando evitar o confronto. Foi então que aprendeu a ir para a cama maiscedo, antes que a criatura chegasse com promessas de amor para dar.
Muitas vezes ela desejou que ele arrumasse umaamante, se apaixonasse e a deixasse em paz. Mas ele só tinha olhos para ela.Era capaz de visualizar a cena: ele chegando do trabalho e lançando a bomba nomeio de jantar “Me apaixonei por outra e quero o divórcio”. Seria perfeito! Emoutros momentos ela imaginava uma viuvez precoce, decididamente, por causasnaturais, pois a última coisa que queria era virar uma assassina da noite parao dia e amargar numa prisão por conta do cafajeste.

CONTINUA… 

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♫ See me, feel me… ♫


Tudo para mim lembra música… E evoca poesia.

Lembro-me de uma viagem que fiz em abril de 2003. Na época, eu estava em conflito, precisava pensar, refletir sobre os acontecimentos da vida e, mesmo assim, os dez dias que tirei para simplesmente abstrair pareciam não estar dando resultado.

Fiquei hospedada na casa de uma amiga e, obviamente, estava acompanhada a todo momento. Vira e mexe o meu celular disparava mensagens de textos e tiravam-me do distanciamento daquela realidade que me aguardava e que eu estava tentando evitar.

Numa manhã, minha amiga resolveu me mostrar um dos parques belíssimos daquela cidade. Disse-me que inclusive havia um curso gratuito que o IBAMA estava dando sobre Educação Ambiental e várias “feras” do assunto estariam reunidas por lá. Como Bióloga, me interessei por tudo aquilo, mas não buscava aprender nada naqueles dias, não queria estudar ou aprimorar algo… O que eu mais precisava era de tranquilidade e uma mente vazia que me proporcionasse alívio.

Dei um jeito de fugir do curso, no escurinho, enquanto apenas o brilho dos slides refletia na tela de projeção. Saí dali sem rumo, deixando meus pés pisarem sem planejamentos, respirando aquele ar tão puro que doía as narinas, descobri trilhas em meio à floresta e segui sem preocupações. Éramos eu e aquele verde intenso da vegetação que começava a causar-me angústia.

Percebi que enquanto trilhava o caminho músicas começavam a tocar em minha mente. Algumas inventadas, outras velhas conhecidas. Sozinha, deixei vir à tona lágrimas que sufoquei por tanto tempo. Deixei que as canções saíssem pela minha boca e meus ouvidos se tornaram mais apurados ao canto dos pássaros. Sem saber o destino daquela trilha, nos momentos em que pensei em desistir, os pés continuavam prosseguindo como que por vontade própria. Minutos depois, deparei-me com um jardim que, antes, eu fora incapaz de apreciar pela sinuosidade da estrada.

Não eram íris como as reproduzidas por Monet, mas minhas próprias íris se iluminaram ao perceberem que quase fui capaz de desistir de tanta beleza. E o que eu aprendi naquele instante nenhum livro poderia me ensinar… Eu tinha percorrido um dos caminhos mais maravilhosos que me levaram a descoberta do meu próprio jardim interior. Ali me vesti de primavera.

Este post faz parte da Blogagem Coletiva “Minha idéia é meu pincel” promovida pela Glorinha.

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Vargem Grande/RJ
Fotografia: Mila Viegas

Escolhi essa imagem para comemorar o primeiro ano do Blog porque ela simboliza busca e para buscar algo precisamos percorrer caminhos. Neste 01 ano, este espaço apenas ganhou vida devido à interação, o compartilhar de idéias e confesso que muitas vezes cogitei deletá-lo. Não o fiz em consideração aos textos e aos leitores queridos que visitam a minha “Vila” virtual deixando carinho, amizade e respeito.

Neste tempo, muita coisa aconteceu. Foram muitos desabafos, contos, poesias, imagens, cenas do cotidiano, viagens, mudanças, conquistas, enfim… Partes da minha vida que exponho sem pudores. Não tive uma única motivação para criar e manter o Mila’s Ville, faço isso porque gosto, porque tenho prazer em aparecer por aqui de vez em quando, mesmo com as minhas dificuldades de acesso à internet ou falta de inspiração.

Portanto, é uma honra compartilhar um pouco de mim com você e este aniversário é realmente muito especial.

Os caminhos se abrem, as pessoas se unem nesta caminhada por amizade, afinidade, companheirismo e assim aproveitamos bastante o cenário a nossa volta, sem preocupações de onde iremos chegar… O maior barato é curtir a viagem.

Meus agradecimentos sinceros à sua presença constante aqui!!!

beijos e BOM DIAAAAAAAAAAAAA!!!

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>Nunca dirija de pijama!

>Isso porque às vezes dá uma vontade de entrar no carro vestida de qualquer jeito, ainda mais quando você precisa acordar às 5 da manhã para levar o marido no ponto do ônibus. Enfim… não vou entrar nestes “detalhes” de vestimenta, mas o fato é que hoje quando fui ligar o carro para levar meu filho até o ponto da van pro colégio.. nhêm nhêm nhêm  nhêm nhêm nhêm… vrummm vrummm vrummm… ô ôuuuu…

Foi muita emoção após termos viajado no final de semana.. Só pode! Não ligava nem a pau. Verifiquei água no radiador, precisava de mais, coloquei. Fiz todo o procedimento, novas tentativas, e o relógio correndo os minutos. Como sou brasileira e não desisto nunca, dei um jeito dele pegar. Se fosse uma cena cartoon, daria para ver o carro com um palmo de língua pra fora durante o percurso.

Não, eu não estava de pijama… Mas… estava descabelada. Saia jeans, blusa, casaco, havaianas (HAVA! rs). Consegui deixar meu filho no ponto. Liguei o carro e ele pegou meio “troncho”. Quem disse que consegui subir a ladeira com ele pra voltar pra casa? Quem disse? Primeira tentativa… Nada… Segunda, NADA… Terceira, NADAAAAAAAAAAAAAA!!!

Conselho: Nunca saia sem o seu celular, mesmo que ele seja pai de santo (ou seja, só recebe ligações).

Estacionei. Liguei pro celular do marido: “Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita…. “. “WHATAHELLLLLL!!!”

Liguei para a empresa. Consegui!

Ele: – Leva já para o mecânico!

Antes de responder, verifiquei mais uma vez se eu estava usando sutiã… rsrsrs. Sim, estava! (estou!). Ainda descabelada, fiz mais uma tentativa de subir a ladeira e desisti. Parti para o mecânico.

Eu: – Sr. Rogério, meu carro tá acendendo uma luz que não sei o que é!

Ele: – É injeção.

Eu: – Ele não quer subir a ladeira!

Ele: – É a bobina. Está queimada. Tá sem força.

Eu: – E?

Ele: – É besteira. Deixa o carro aí que tá pronto mais tarde.

O gentil Sr. Rogério me deu uma carona até em casa. Devia estar me achando uma maluca, toda descabelada, com cara de sono. Ainda se preocupou em saber se eu tinha pego a chave de casa. Sorte minha senão, mais uma vez, ficaria trancada pelo lado de fora.

Eu sou sortuda! Pelo menos não estava de pijama, pelo menos não esqueci o celular em casa, pelo menos o carro não quebrou em Minas Gerais naquele calor infernal, pelo menos estava próximo de casa e daria para andar 2km de subida numa boa (???)… e, pelo menos, eu moro num lugar onde há pessoas muito gentis e prestativas e mesmo estando há quilômetros dos meus amigos e familiares, não me sinto em apuros.

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>Bom dia especial!

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Hoje o meu Super Bom Dia Especial vai para a Tati Pastorello do blog Perguntas em Resposta que sopra velinhas na véspera do aniversário do meu blog. Uma blogueira fofa e talentosa!

Tati, desejo muitas felicidades e que todos os dias da sua vida sejam assim: intensos e emocionantes!

Assim como Confúcio eu pergunto: “Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?”

George Sand responderia: “Cada um tem a idade do seu coração, da sua experiência, da sua fé.

Ninon Leclos diria: “Nunca tive outra idade senão a do coração.

Mas, como Robert Basillach afirmou: “Cada idade tem a sua beleza e essa beleza deve ser sempre uma liberdade“.

FELIZ ANIVERSÁRIO, TATIIIIIIII!!!

Receba o meu carinho e muitos beijinhos…

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>Bom dia :)

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Caminho paras as Minas Gerais
Fotografia: Mila Viegas

Deixe seu motor funcionando

Dirija-se para a auto-estrada
Em busca da aventura
Não Importa o que aconteça em nosso caminho
(Steppenwolf)

Semana de aniversário do Mila’s Ville… Vem comemorar comigo?!O blog completará 01 ano no dia 28/10 e até lá, todos os dias um Bom Dia especial para você!

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