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Archive for maio \28\UTC 2011

Caracóis

 Estes são os caracóis do Jardim Encantado, tema da festa de 1 aninho da minha sobrinha Sofia. São 25, costurados à mão, um a um, e vão enfeitar a mesa dos convidados. A festinha é hoje e estamos nos preparando para o momento de vê-la sorrindo, com um belo vestido de bolinhas, sapatinhos vermelhos… Praticamente uma joaninha… rs.

Caracóis que nascem da minha mão
Dei-lhes o melhor que pude de mim
A cada um entreguei meu coração
E cada um possui o seu jardim

Caracol, não sentirás solidão
De pessoas estarás rodeado
Farás parte de uma comemoração
Da Princesa Sofia e seu Jardim Encantado.

Missão cumprida! Adorei fazer esse projeto inspirado em uma das revistas Tilda. Este é um dos meus presentes, fiz com carinho e dedicação ao longo de algumas semanas. Meus dias e noites ficaram mais coloridos e vê-los juntos assim me traz a sensação de que realizei um bom trabalho apesar da correria do dia-a-dia. Espero que todos gostem e possam sentir, em cada ponto, o prazer que tive ao confeccioná-los.

Foi uma delícia poder revisitar o meu lado artesã e ter que usar a criatividade para reunir os materiais que eu já possuía. Acho que nada substitui um enfeite feito à mão, pois quando confeccionado com amor, torna a comemoração ainda mais especial. É uma pena que poucos valorizam este tipo de trabalho e entendem que cada uma dessas peças, por mais que sejam desenvolvidas através de um molde padrão, são únicas. Cada uma carrega consigo uma energia que mal consigo explicar.

Para realizar um projeto assim é preciso paciência e dedicação. Primeiro porque são vários do mesmo molde e é importante não fazer o processo de forma mecânica ou de qualquer jeito. Segundo porque precisamos dedicar muitos dias para cada etapa: cortar, costurar, rechear, montar. E quanto mais avançamos, mais temos a sensação de que falta um mundo de coisas para fazer, embora seja o contrário. O segredo é: quando nos propomos a desenvolver um projeto é necessário que façamos como se fosse para nós mesmos. Foi o que eu fiz.

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Espirais

Eram espirais…
Feitas de sonhos
Laços e cadarços
Cobras enroscadas
Na presa
E preso
querendo algo mais
algo além do desejo
de se contorcer
em espirais

Pelos ais
pela dor
que dilacera
serena
sentia-se plena
abraçada pelos espirais
sem movimento
sem choro
descontentamento
sonho aprisionado
no laço enroscado
precisando de espaço
querendo sempre mais

Desejos fractais
no caos
amor que não dura
partida, ferida
pelo braço que segura
no laço apertado
fragmentos espalhados
amontoados num canto
um pranto
e a angústia
de se perder em espirais.

(Mila Viegas)

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Não sei dizer ao certo como começou o meu amor pela leitura, mas lembro que desde muito pequena eu era fascinada pelas letras. Talvez o fato de a minha mãe estudar enquanto me carregava na barriga tenha despertado esse meu interesse. Mamãe se casou aos 19 e planejava ter uma menina, assim quando ela fez 20 anos eu nasci. Logo que aprendi a segurar o lápis, ela me ensinou a fazer rabiscos. Muitos destes eram feitos nas paredes, escondido, e não me recordo dela brigar comigo quando descobria a minha arte. Foi então que mamãe me presenteou com um quadro negro e muitos giz coloridos. Nunca mais estraguei a pintura ou os tampos das mesas. A partir de então despertei a minha vocação para o magistério. Meus alunos eram as diversas bonecas que eu colecionava, principalmente fofoletes de várias cores.

Antes mesmo de saber ler e escrever, eu esboçava letras. Aprendi o alfabeto em casa mesmo. Passava o dia pedindo para as pessoas soletrarem seus nomes e os escrevia fosse numa folha solta, num papel de pão ou riscando a terra do quintal. Meu nome foi a primeira palavra que decorei e no jardim de infância eu já o escrevia com propriedade. Lembro-me que enquanto as crianças disputavam espaço na casinha de bonecas da pequena escola, eu me interessava em pintar com tinta guache num cavalete… Ao final, assinava meu nome: Milena. Todos os dias na recreação a rotina era esta: pintar, esculpir, desenhar… Apenas uma vez eu quis experimentar as bonecas da disputada casinha e confesso que não gostei muito de brincar disso com as crianças. Adorava quando a professora lia livros para a turma, mas me irritava o fato de ver que muitos dos meus colegas não prestavam atenção.

Na minha época existiam LPs com fábulas narradas e uma sonoplastia muito legal. Ouvindo esses discos eu descobri Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Branca de Neve, O Patinho Feio e vários clássicos infantis. Ganhei muitos discos assim e Papai Noel me presenteou com uma vitrolinha vermelha, só minha, para que os ouvisse quando quisesse. Era o nosso audio book dos anos 80.

Muito curiosa parti para a poesia, mas o único livro que tinha na minha casa era todinho em inglês. Eu o lia do meu jeito e, para variar, inventava melodias com aquelas letras tão desconhecidas pra mim. Lembro-me de um que começava assim: Sing, sing a song… Por coincidência, eu cantava aqueles poemas me sentindo numa verdadeira ópera infantil. Talvez tenha acontecido ali o meu encantamento pela arte.

Adorava ganhar bonecas e brincar com elas, mas a brincadeira nunca tinha graça se não tivesse o quadro negro, música na hora do “recreio”, desenhos “artísticos” como avaliação do “conteúdo”. Não me recordo o que eu ensinava ali para aqueles alunos tão atenciosos, feitos de pano e plástico. Supostamente eu criava novas formas de brincar, imaginando que o ônibus escolar estava atrasado ou que o castigo era desenhar um castelo. Eu era a professora, a motorista, a mãe de cada boneca, a coordenadora… Eu era muitas.

Talvez minha mãe não saiba exatamente que aquele cenário fez de mim o que eu sou hoje. Creio que ela jamais imaginou que eu fosse virar professora, escrever livros, inventar estórias, cantar, desenhar, pintar… Me envolver com a arte. Foi despretensioso, natural. Foram as idas ao circo, ao teatro, as aulas de balé, os discos. Assim começou a minha história. Assim surgiu o meu amor.

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Meia-noite.

O tempo passava arrastado, desfilando por tic-tacs irritantes. Um convite. Céu de estrelas, lua partida, ondas silenciosas. Mesmo assim, o cenário não era dos mais belos, não havia montanhas, nem florestas vestidas de névoa. Num canto distante do mundo, alguém ainda aguardava que a sua profecia fosse cumprida. “Se não houver um terremoto sequer, com que cara eu vou acordar amanhã?” – talvez ele tenha pensado. Meia-noite parece um horário místico, a transição da noite para a madrugada, um novo ano em contagem regressiva. Faltava pouco. Aliás, não faltava nada. A hora marcada já tinha virado passado.

Eu interagia e, ao mesmo tempo, estava alheia… Embriagada com os meus próprios pensamentos. Sim, e alguns goles de suco dourado, já que ninguém é de ferro. “Que horas são?”, alguém perguntou para qualquer um responder. “Quase meia-noite!”, gritaram do outro lado. E outra voz soou próximo a mim: “Ué? O mundo acabou e eu nem percebi?”.

Ao microfone, agudos estridentes. O saxofonista não passou no teste. Cortem ele, afinal isso daqui não é brincadeira. E ali, os copos nunca estão metade cheios e mãos sempre estão prontas para completar o que falta.  Mas não existe falta, e sim excesso… Risos, embriaguez, palavras nonsense… Como se o mundo realmente fosse explodir ao impacto de meteoros e tsunamis nunca vistas fossem se formar engolindo os exagerados.

A profecia não se concretizou e, no dia seguinte, o gosto amargo tomou conta da consciência tanto daqueles que não estavam nem aí quanto dos que apostaram suas fichas na bondade imaculada da sua alma. Mas, ao final, uma voz que não queria calar cruzou a quase alvorada como um suspiro de alívio: “Pelo menos eu morreria aqui, entre amigos!”.

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Divulgação!

Jornal O Terminal (impresso e on line) de sexta-feira, dia 20 de maio de 2011, ano 2, nº 201, Editorial de Maricá.

Agradeço a todos que estão divulgando este lançamento.

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Nicola, a borboleta de uma asa só apresenta ao leitor a fascinante busca por uma vida feliz. Nossa personagem principal, ao descobrir sua limitação, parte para uma aventura à procura da Flor Imortal acreditando que, assim, conseguirá superar o seu problema. No caminho, ela encontra muitos obstáculos que a fazem pensar em desistir da felicidade.

O livro mostra, de forma lúdica, o processo de metamorfose de uma borboleta e passeia sobre questões de caráter ambiental quando se refere à interferência do homem na natureza, sugerindo que a má utilização dos recursos naturais pode promover a extinção de algumas espécies. Mas além de se apoiar nos temas transversais, Nicola vem trazer uma verdadeira lição de vida, baseada na amizade, no amor e na determinação de continuar acreditando na realização dos seus sonhos.

O lançamento e a noite de autógrafos será no dia 11 de junho de 2011 (sábado) na Editora Multifoco (Av. Mem de Sá, 126, Lapa/RJ), a partir das 18h.

Este é o meu primeiro livro infantil a ser publicado, contando com a revisão de Cristina Viegas, ilustrações de Thaís Leão e orelha por Erika Evanttini.

Será um prazer compartilhar esse momento com vocês!

Um grande beijo ♥

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Faltava um bocado para a hora marcada chegar. A espera foi proveitosa para arrumar tudo, colocar a bagagem no carro, lavar um restinho de louça do café da tarde, deixar os comedouros dos cães e gatos abastecidos… Mas ainda faltava um bocado e o relógio é inimigo da paciência. Minutos depois o interfone tocou, eram as pessoas que eu aguardava. “Está tudo pronto?”, um deles perguntou. E a vontade de sair era tanta que obviamente estava tudo preparado.

Pausa para um café e a casa foi invadida. Ansiosos para sair, tentávamos nos desvencilhar das pessoas. Estava uma noite de clima agradável, céu de Lua Nova, um tapete de estrelas que as luzes da cidade nos impediam de observar. Pegamos a estrada já mais de 10 da noite… Um breu… Pausa para abastecer… Pausa para viver… Pausa para comer camarões, filé mignon, filé de frango… Chops eram bem vindos. Nos aproximávamos do nosso destino enquanto o cheiro de maresia invadia o ambiente. Porteira aberta, carros estacionados. Saímos com pressa. Retiramos a bagagens. Abrimos uma cerveja.

A escada de madeira reproduzia a subida audível de saltos, tênis, chinelos. O deck nos esperava. Cadeiras foram postas em frente ao mar. Lua Nova… Céu em festa… Estrelas alegres, aproveitando a ausência da magnânima. Nossas vozes animadas inundavam o ar junto com a sinfonia do mar… Espumas florescentes… Luz negra numa boate a céu aberto. “Eu vi uma”, falei surpresa. “Cadê?”, perguntaram em coro. “Logo ali, foi rápido, cruzou as Três Marias como um raio!”.

O espetáculo começa. Façam pedidos. E veio outra, mais outra… Expectativas… Mais uma. Chuva de estrelas cadentes. Nunca vimos tantas em sequência. Mãe Lua ausente, estrelas displicentes. Nessa noite mágica, a maioria das pessoas dormindo, deixando a oportunidade passar. Nem sempre a rotina é tão boa assim, nos faz perder “maravilhamentos”. Quebre-a e terás contato com momentos únicos. Éramos quatro na platéia e mais alguns que, concentrados em varas de pescar, não olhavam para o alto. Eles não compreendiam as gargalhadas que ecoavam pela madrugada sonolenta. Dizem que somos loucos por pensarmos assim…

E o brilho da manhã arrebatou nosso olhar. Fomos brindados por uma estrela atrasada que cortou o céu quase por completo. Fim do espetáculo, ou melhor, da chuva de brilhos encantados.

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