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Archive for junho \29\UTC 2011

Tudo passa…

Tenho me sentido muito feliz com os rumos da vida, mesmo com as sinuosidades, o ziguezaguear do percurso e cada vez mais trago a certeza de que uma coisa leva a outra, que leva a outra e vai levando… Assim, de forma simples, numa sucessão de pequenos acontecimentos relevantes. Todos os dias há tarefas que precisam de atenção. Falo de tarefas básicas como trocar a água dos animais, encher seus comedouros, varrer o chão, ler um livro. Penso que quando fazemos as coisas com prazer, algo invisível começa a acontecer. Atraímos mais atividades prazerosas, pessoas que estão afinadas conosco e que sempre têm algo interessante para nos ofertar.

Após uma fase conturbada em que vi, literalmente, meus sonhos desmoronarem da noite para o dia, descobri que é preciso enfrentar o luto e senti-lo com toda a intensidade. Apesar da dor, todo acontecimento nos traz clareza. É como se estivéssemos envolvidos em brumas espessas que nos tornam incapazes de enxergar um palmo diante do nariz. Nestes instantes tudo parece desaparecer, perdemos a nossa referência e acreditamos que é uma condição permanente. “Tudo passa”, uma voz nos diz bem no âmago do nosso ser. Tudo passa, mas temos pressa. Só que nós não podemos controlar o tempo. O que fazer diante de uma situação tensa em que todo evento se mostra intenso demais a ponto de acreditarmos que não somos capazes de suportar? A medida mais sensata é viver e deixar-se envolver pelos acontecimentos procurando extrair deles a clareza necessária para nutrirmos nosso espírito com a experiência. Quando alcançamos isso, chega o momento tão esperado… O momento em que “tudo passa”.

É como se estivéssemos vivendo um outono em nosso microcosmo. Um momento em que é preciso sentir profundamente a renovação. Nossas “folhas” caem e por isso nos sentimos vazios. Não é um sentimento dos melhores. Nos despimos de todo e qualquer pensamento coerente. Tudo parece confuso, amontoado como folhas amarronzadas sobre as raízes da nossa árvore. Mas não podemos retirá-las de lá. São elas que nutrirão o nosso solo carente de novas substâncias e é doloroso o processo de decomposição das velhas ideias, conceitos. É preciso.

Quando o inverno chega, a melancolia é embalada pelo aconchego. Nos abraçamos como se existisse uma nova pessoa bem na nossa frente, um novo Eu que precisa ser aceito e acariciado. Um Eu desprotegido que, nesta fase de transição, precisa ser envolvido, aquecido. Nesta aproximação repleta de abraços e ternura, transferimos a nossa essência, aos poucos, aguardando uma primavera abundante de novos sonhos e projetos. Nos fundimos com o nosso Eu renovado e podemos vislumbrar a claridade. Caminhos que, antes, estavam envolvidos pelos véus brumosos dos nossos pesares, se descortinam, se mostram esplendorosos. E, aí sim, temos a certeza de que tudo passa.

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O tempo e eu…

Todos nós temos 24 horas por dia, a questão é saber aproveitá-las quando o cansaço bate à porta ou tudo resolve acontecer ao mesmo tempo. Estou na fase das horas cheias. Você sabe o que são horas cheias? Bom, eu as chamo assim quando praticamente todos os horários do meu dia estão preenchidos com alguma atividade. Há dias em que as horas quase explodem de tão recheadas, enquanto outros eu tenho a possibilidade de descansar um pouco, ler ou simplesmente não fazer nada (o que também é importante!).

O lançamento do meu livro me trouxe novos desafios e, principalmente, tem me direcionado para muitas pesquisas, estudos. Mas, não estou sem tempo, estou apenas sem muitos espaços para encaixar coisas que não são prioridade máxima. Falo do livro porque este é o foco da vez. Não basta escrever, é preciso propagar o que se escreve e se envolver com o seu leitor, tenha ele 1 ano ou 100 anos de idade. Esta é apenas uma obra e existem outras em andamento, as quais a dedicação também é necessária. O que vem depois de Nicola, além do trabalho que estou desenvolvendo com ela? O que vem depois de um lançamento? Como dançar no ritmo da dinâmica dos acontecimentos procurando suprir as necessidades envolvidas neste processo? E quanto a novos livros, novas vivências, novas histórias que merecem atenção? E quanto a mim?  Há muito a ser feito.

Não preciso de mais tempo e sim de organização. Preciso do espaço que me permita navegar num displicência que traduza inspirações. Preciso do silêncio e do barulho, alternadamente, para encontrar respostas e novas ideias. Preciso de reconexão o tempo todo… De ouvidos prontos para ouvir de verdade e de envelopes imaginários capazes de armazenar cada som… De olhos atentos para capturar imagens essenciais para a confecção de novas frases e diálogos (quem sabe?). Preciso de aventuras e de loucuras… Reinventar momentos velhos, empoeirados, contos guardados na estante intocada há tempos. Preciso esvaziar as gavetas, reler os diários, recontar trajetórias, poetizar tristezas.

Mas, o que eu mais preciso é me lambuzar com as horas cheias, me fartar dessa abundância de acontecimentos – bons e ruins – pois só assim serei capaz de tecer a urdidura, abandonando o fuso de vez em quando e dando a chance das mãos entrelaçarem por si só um enredo que encante.

Até mais!

Mila

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Hoje foi o último dia de oficina. Minha colega de turma, Ane, precisou frequentar a aula pela manhã e não foi a tarde, então não pude me despedir dela… Ou melhor: não pude dizer um “até breve”. Ficamos apenas eu e minhas colegas adolescentes. Luciana (a prof.) nos propôs uma dinâmica caracterizada. Eu fui a rainha com direito à manto e coroa e uma das meninas fez o papel de minha serva, abanando-me com um grande leque e trajando um lenço lilás na cabeça. O microfone estava ligado e precisei falar com uma voz muito arrogante o texto sugerido, mais um “trava língua” daqueles do bom:

O bispo de Constantinopla 
Quer se desconstantinopolizar
Quem conseguir desconstantinopolizar
O bispo de Constantinopla
Bom desconstantinopolizador será

Foi engraçado, é claro! E conforme um acabava, outro passava a mesma mensagem para um seguinte de acordo com a sua caracterização. É óbvio que a minha serva era uma tremenda fofoqueira e correu para contar para uma bruxa muito curiosa, que contou para um mago, que contou para o bobo da corte, que contou para um chinês, que contou para o rei…

Depois disso fizemos vários exercícios de vocalização.

Patrícia tirou fotos e filmou algumas dinâmicas (deixei meu e-mail para que ela me envie depois, aí eu mostro pra vocês!). E o momento mais esperado foi se aproximando: a nossa primeira contação.  Eu comecei. Minha voz ecoava no grande galpão e todos sentados observavam o desenrolar do conto. Fiz o meu melhor naqueles instantes. Narrei a estória com uma voz firme, fazendo variações de acordo com cada cena. Consegui também dar voz aos personagens, afinando e engrossando, aumentando e diminuindo o tom. Cantei… Só não sei dizer se encantei, mas que todos estavam prestando atenção… Ahhhh, estavam sim!

Posso dizer que este foi o meu primeiro contato mais intenso com a contação de histórias. Claro que eu sempre li e até hoje leio histórias para o meu filho, sobrinhos e, na verdade, eu acho que mais conto do que leio mesmo. Não consigo apenas narrar passivamente, gosto de me envolver e brincar com a voz quando faço isso.  Porém, partir para uma oficina com esta temática era algo que eu não esperava fazer. Fui lá e fiz! E gostei! E fiquei com uma sensação de quero mais.

Não sei se darei continuidade a essa prática e nem até que ponto pretendo me envolver. Eu prefiro, algumas vezes, deixar a vida embalar as oportunidades, ver até onde um caminho é capaz de me levar. Não descarto virar realmente uma contadora de histórias, embora eu já seja uma “fazedora” delas.

A experiência foi única, gratificante e estar rodeada de meninas tão jovens me fez aprender muito. Espero que eu também tenha conseguido passar alguma coisa bacana pra elas que, carinhosamente, me chamaram de “tia” durante todo esse tempo em que estivemos juntas… rs.

Estou pronta para o próximo desafio!

Mila, engatinhando no universo da contação de histórias… Uma contadora “verde” que, talvez um dia, amadurecerá.

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Hoje ganhamos uma pequena apostila com alguns apontamentos importantes sobre a Arte de Contar Histórias e algumas dicas que vão desde a preparação do contador até o momento de contar a história. Começamos escolhendo livremente um conto dentre as diversas opções que estavam sobre a mesa. Nossa professora quis que fizéssemos uma “leitura seca” no primeiro momento, ou seja, uma leitura informal, o primeiro contato com o texto. Em seguida, nos pusemos em círculo e cada um narrou o seu conto.

O que eu escolhi foi “O avarento” (Esopo), pois além de ser curto tinha diálogo e eu realmente queria poder trabalhar um pouco a questão das falas, a entonação. Gostei. Os adultos da turma (eu, Ane e Tony) escolhemos contos não tão conhecidos e isso foi muito legal. Tony contou “Deixe secar!” e Ane “A sabedoria da lesma“. Nossas colegas adolescentes optaram pelos clássicos, tais como: Aladin, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Pinóquio, Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, A Bela e a Fera e o Patinho Feio.

Após a roda de leitura, a professora nos explicou mais sobre o conteúdo da apostila, especialmente a parte das dicas. Entre uma explicação e outra, éramos convidados a ouvir audio-books. Tivemos a fábula “A formiguinha e a neve”, lindamente narrada e também “Pedro e o Lobo”, onde o narrador propunha sons específicos para cada personagem. Duas técnicas diferentes de contar histórias diferentes, uma tão interessante quanto a outra.

Ao final do nosso tempo, trabalhamos um pouco a questão da voz. Estou empolgada para contar a minha primeira história amanhã, “Romeu e Julieta” de Ruth Rocha.

Até mais!

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Cheguei ao galpão faltando 10 minutos para a oficina começar. Maria Regina e Vera Lucia me receberam com um sorriso nos lábios e, quando eu disse o meu nome, logo se lembraram do contato que fiz por telefone na semana passada. Sentada em um puff, folheando um livro numa área aconchegante destinada a uma espécie de biblioteca, estava a Ane, a primeira colega da turma que eu conheci.

– Você é professora? – Ane perguntou.

Respondi que sim, sou professora embora não esteja exercendo essa profissão no momento, mas que também sou escritora e estava curiosa para conhecer o universo da contação de histórias. Conversamos um pouco, ela quis ver o meu livro. Sorte que antes de sair de casa eu o coloquei na bolsa. Falamos sobre várias coisas. Ane tem filhos, faz faculdade de pedagogia, é mineira de Belo Horizonte.

Aos poucos a turma foi chegando ao galpão. Confesso que fiquei muito surpresa. Imaginei que a procura por essa atividade seria mais dos profissionais voltados para a área da educação, mas eu estava enganada. Apenas eu e a Ane estávamos inseridas neste contexto, os demais colegas eram adolescentes. Sim, estávamos numa turma em que a maioria era adolescente de 15, 16 anos. Foi realmente uma adorável surpresa.

A oficina começou com as devidas apresentações. O Centro de Cultura e Artes Canteiro de Obras está sob a responsabilidade das Escritoras, Artistas Plásticas e Produtoras Culturais premiadas, Maria Regina Moura (da Silva) e Patrícia Custódio (Linhares da Silva), ambas residentes em Maricá/RJ; idealizadoras do Centro de Cultura e Artes e de todos os Projetos (inclusive o Ponto de Leitura) a ele vinculados. Luciana Custódio Soares é a professora e contadora de história que está ministrando o curso.

Começamos ouvindo um conto, é claro, chamado o Rei do Tempo (desconheço o autor), que nos introduziu neste universo tão encantador que consiste em ouvir boas histórias e imaginá-las. Em seguida, Luciana nos convidou a escrever numa folha de papel a história da nossa própria vida. Cada uma de nós, ao final da atividade, deveria ler para os demais o próprio texto. Foi um momento emocionante. Ouvir os relatos (felizes e tristes) das minhas colegas de turma fez meus olhos lacrimejarem e pude sentir a emoção colocada em cada parágrafo lido. Isso nos aproximou.

Patrícia e Luciana colocaram músicas, sons interessantes e precisamos interagir com o que estávamos ouvindo. Essa parte foi divertida. Tínhamos que imitar a dança que cada um propôs e dançamos em círculo. Momento descontraído, repleto de gargalhadas e movimentos engraçados. Liberamos geral! Minutos ofegantes, viramos crianças novamente e então precisamos fazer uma pausa para um delicioso café com biscoitos.

Assistimos também a um vídeo francês que mostrava a dinâmica do Teatro de Sombras. Você sabe o que é isso?

Bom, o Teatro de Sombras é uma arte muito antiga que tem origem na China e se espalhou por todo o mundo.

 É uma linguagem que integra o campo do teatro de animação, em que estão inseridos os marionetes, bonecos, objetos e máscaras. Suas técnicas são relativamente simples: através de uma tela branca onde um foco de luz se acende, sombras de silhuetas de figuras humanas, animais, ou objetos, recortadas em papel, são projetadas em conjunto, ou isoladas nos remetendo a um mundo particular, poético e mágico de histórias, do faz de conta. (Fonte LenderBook)

No vídeo que assistimos, três personagens criavam histórias juntos e deixavam a imaginação fluir acrescentando novos ingredientes. Assim, os personagens dos contos que eles criavam iam sendo moldados e, ao final dessa construção, acontecia a história. Tivemos: “Príncipes e princesas”, “O menino do figo”, “A bruxa e a princesa”, entre outros, mas precisei ir embora um pouco antes, pois estava chegando o horário do meu filho sair da escola.

Como dever de casa tivemos que escolher um livro infantil e no último dia da oficina vamos contá-lo. Eu escolhi “Romeu e Julieta” da Ruth Rocha. Simplesmente olhei as capas e fiz uma escolha aleatória. Agora preciso me envolver com o texto, as personagens e sentir a emoção deste conto. Confesso que estou um pouco nervosa, pois embora não pareça sou muito tímida. Algumas colegas me perguntaram por que eu não escolhi contar a história da “Nicola…” (meu livro infantil), mas o desafio – para mim – precisa ser completo. Nada melhor do que conseguir interpretar e contar uma história escrita por outro autor, não é mesmo?

Enfim, hoje tive um dia especial. A semana começou encantadora e amanhã tem mais. Voltarei para compartilhar mais um dia dessa aventura com vocês.

Até mais!

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Domingo

Meu domingo não foi muito legal, fiquei mal porque comi algo estragado no sábado (sou péssima em identificar comidas estragadas!). Passei o dia deitada, sem forças, sentindo fome e sem poder comer qualquer coisa… Agora já estou bem melhor. Acho que o nosso corpo se rende certas horas para mostrar que precisamos de um intervalo, um descanso (mesmo que forçado) e, com isso, eu percebi que não posso continuar achando que sou feita de aço.

A boa notícia é que hoje a editora disponibilizou o meu livro para venda no site. Clica aqui! Agora é o momento de divulgar e desde já agradeço a quem está me ajudando nisso. Como dizem por aí “Uma escritora sozinha não faz verão”… kkkkkkk… brincadeira. Mas, embora o trabalho de escrever seja solitário, quando um livro é lançado ele deixa de pertencer apenas a quem o escreveu e começa a ser compartilhado. O objetivo é este, não é?

Hoje (a partir das 14h) começa a oficina “Conto, sonho e encantamento” e estarei presente para poder aprender algo super novo pra mim: o universo da contação de histórias… a importância dos contos de fadas… aprendizagem… como e por que contar histórias… O conteúdo é bem legal e eu estou super entusiasmada. Podem deixar que venho contar essa minha mais nova aventura!

Beijinhos e carinhos,

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Foi assim:

Um convite despretensioso, um café italiano e três mulheres falando, falando e falando. Ou melhor: bebendo… falando… comendo… falando… mais um gole… mais uma frase. E o papo foi fluindo aquecido enquanto “molhávamos a palavra”. Diversos assuntos, a começar por livros. Curiosidades. Relacionamentos. Motivações. Estilos. Muitos risos. Sorrisos. Aproximação.

Algumas vezes, as frases eram cortadas com um “Ah, lembrei!”. E um assunto leva a outro, que leva a outro e assim as horas passam tranquilas, num tique-taque despercebido. Telefonemas interrompem, nos perdemos em meio a tantos temas interessantes e corriqueiros que, poucas vezes, temos a oportunidade de expressar. Com o tempo a gente aprende a ouvir mais, a prestar mais atenção no outro e isso sempre nos proporciona momentos de reflexão. “Por que fiz isso?” ou “Por que fiz aquilo?” ou até mesmo “O que me motivou a fazer tal coisa?”. Eu ouvia, entendia, compartilhava. Havia algo dentro de mim que, até então, não passava de uma pergunta. Mais um café foi servido, agora ainda mais encorpado. Geleia de uvas decorava o biscoito… era doce demais, anulou o meu próprio gosto amargo e aí tive o insight.

“Tem razão!”, eu pensava tagarelando comigo mesma. Pus o tema na roda. Todas concordaram como se a descoberta respondesse também às suas perguntas… Esse lance da gente querer explicação sobre a motivação de fazer algo de determinada maneira. Eu já havia escrito sobre isso, já havia lançado a questão no ar sem ao menos precisar usar um ponto de interrogação. A pergunta era pra mim, por isso passou como um raio pelos olhares desatentos.

Ao falarmos sobre livros uma delas exclamou: “Mas Clarice Lispector é muito difícil!”

“Não, ela não é difícil.” – a outra retrucou. “Ela só deve ser encarada como uma obra de arte.”

“Tem razão de novo!” – eu sorri.

Sei que na dança de gestos e palavras que brindou aquela tarde, tudo era desconexo para quem passava em frente ao portão daquela casa… Ao pegar frases pela metade e tentar dar sentido a uma prosa. Não tinha jeito, são mulheres! E são capazes de começar falando dos filhos e num piscar de olhos partirem para a política, pescando uma palavra aqui, outra acolá e inserindo um novo assunto, abrindo um parêntese importante no enredo. Quem de fora conseguiria entender isso?

Só posso dizer que: Hoje eu descobri muitas coisas… muitas coisas sobre mim.

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